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Então…

4 ago

Não é que o fogão esteja parado. Mas é o mestrado que monopoliza toda minha vontade de escrever e/ou de me dar ao trabalho.

Agora as coisas tem andado pra outros lados. A troca do botijão de gás às 8 da manhã, o cuscuz apressado e o fogão novo que vem aí anunciam a mudança na rotina. Enquanto o salário não chega, descobrir que a Etsy entrega no Brasil criou toda uma nova ansiedade consumista.

Especialmente a proposta da lojinha Laura’s Last Ditch. Eu não sei qual o meu incômodo. Talvez seja aquela coisa de foodie de dizer, com orgulho, que “tenho um ralador da década de 50 que era da minha avó” ou um “moedor de carne da década de 20 do bisavô”. Aí fico encafifada com a necessidade de inventar tradições pra mim. Como lá em casa ninguém nunca gostou de cozinhar, não tem livros de receita ou utensílios domésticos guardados – afinal de contas, esse é um sentido, um valor, um gosto que eu criei. Minha mãe e minha tia observam as minhas opções com uma certa preocupação, inclusive.

Mas o lindo é que em tempos de cultura de memória (se interessou, leia o Andreas Huyssen) eu posso comprar as memórias materiais da família de alguém. E tornar minhas as memórias. Se alguém conta uma historinha legal, fica melhor ainda. E nem vem com essa história de autêntico, hein? There’s no such thing. Tradição é inventada por definição.

E eu nunca disse que era razoável, certo? A academia me explica – meu orientador diria que eu sou neo-folclorista 😛 – e eu fico feliz com isso.

Então, pra que ter isso:

Quando você pode servir assim?

Ou fazer assim:

E assim?

São as maravilhas do mercado. Algum foodie meio pimba meio hippie pode até apontar o dedo pra mim, mas ó… preguiça sem fim, viu?